Sete pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF) por participação em um esquema criminoso de caça ilegal e tráfico de animais silvestres na Reserva Biológica de Sooretama. A denúncia foi aceita pela Justiça na última quinta-feira (12), e os acusados foram intimados a apresentar defesa no prazo de dez dias.
As investigações foram realizadas no âmbito da Operação Aveas Corpus, deflagrada pela Polícia Federal. Segundo o MPF, a quadrilha era monitorada desde outubro de 2020, após a prisão em flagrante de um agricultor com oito filhotes e dois ovos de papagaio-chauá — espécie ameaçada de extinção — além de outros animais, como filhotes de sofrê e um jabuti.
O agricultor foi identificado como o principal articulador da organização no Espírito Santo. Mesmo após ser preso novamente em 2021 com mais vinte filhotes de papagaio-chauá, as atividades ilegais continuaram de forma sistemática, colocando em risco a fauna silvestre da unidade de conservação federal.
Como funcionava o esquema
O foco principal da quadrilha era a captura de papagaios, mas também eram retirados da reserva outros animais silvestres, como periquitos, corujas, coleirinhos, trinca-ferros, sofrês, filhotes de macaco-prego e até jacarés.
O líder do esquema comandava a caça e a coleta dos animais, além de intermediar a venda para uma rede de compradores. Ele contava com a ajuda de dois homens no Espírito Santo:
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Um marceneiro, considerado o “braço direito”, responsável por aliciar caçadores e encomendar filhotes de macaco-prego;
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Um agricultor mais jovem, sobrinho do articulador, que atuava como auxiliar nas entregas e negociações.
No Rio de Janeiro, um servidor público e sua esposa funcionavam como principais compradores e distribuidores. O transporte dos animais era feito por outros dois integrantes, um deles motorista profissional. Um desses transportadores já havia sido preso anteriormente com quase 250 papagaios.
Prejuízo à fauna
A ação contínua da quadrilha provocou prejuízos diretos à reserva, especialmente à população de papagaio-chauá, já em risco de extinção. As conversas interceptadas nas investigações revelaram a preocupação dos criminosos com a dificuldade crescente de encontrar filhotes e ovos das aves.
O procurador da República, André Pimentel Filho, reforçou o pedido para que os acusados sejam condenados pelos crimes de associação criminosa, receptação qualificada e dano à unidade de conservação.





























































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