Aliado histórico do ex-governador Paulo Hartung, o ex-deputado federal Lelo Coimbra não mudou de partido. Ficou no MDB e decidiu não disputar as eleições deste ano. A decisão foi anunciada por ele nesta segunda-feira (4).
Lelo presidiu o MDB no Espírito Santo por muitos anos. No ano passado, a senadora Rose de Freitas tornou-se a presidente da Comissão Executiva Provisória no Estado, após praticamente três anos em que o partido esteve mergulhado em uma guerra política e jurídica pelo comando local, travada entre o grupo de Lelo e o do ex-deputado federal Marcelino Fraga (expulso pela Executiva Nacional em março de 2021).
Para as eleições deste ano, as perspectivas do MDB no Espírito Santo não são nada animadoras. Nas últimas semanas, marcadas pela janela partidária e pela temporada de filiação de pré-candidatos, o partido sofreu uma debandada de quadros importantes. Nos últimos dias, o clima interno era de “o último a sair apague a luz”.
Desolada, a ex-deputada Luzia Toledo, amiga íntima de Rose, trocou o MDB pelo Republicanos para tentar retornar à Assembleia Legislativa.
Guerino Zanon era o único prefeito do MDB em um município capixaba com mais de 100 mil habitantes. Renunciou à Prefeitura de Linhares e trocou o MDB pelo PSD, para poder se lançar na disputa a governador.
A porta de saída também foi atravessada pelo deputado estadual Hércules Silveira (que era o único remanescente de uma bancada que chegou a ter incríveis sete membros na Assembleia, durante parte do último governo Paulo Hartung).
Para piorar, enquanto sofria esse volume de baixas, o MDB não conseguiu filiar absolutamente nenhum político com densidade eleitoral significativa no Espírito Santo. Simplesmente nenhum.
Resumindo, nestes dias tão decisivos, o partido só perdeu: viu emedebistas importantes partirem para outra legenda e não filiou ninguém para compensar essas perdas.
Lelo era cotado como pré-candidato a deputado federal. A perspectiva de o MDB nem sequer conseguir registrar chapas proporcionais pode ter pesado em sua decisão de não se candidatar a nada neste ano. Mas há outro elemento mais importante. A prioridade estratégica de Lelo parece ser outra e pode ser depreendida da nota em que ele comunica a sua decisão: o ex-deputado fica no MDB, mas permanece “na trincheira para construir um projeto alternativo para o Governo do ES”.
Em outras palavras, Lelo indica que continuará travando, dentro do MDB, a luta política para levar o partido a não apoiar a provável candidatura do governador Renato Casagrande (PSB). Se depender de Rose, candidata à reeleição e aliada de Casagrande, é exatamente o que tende a fazer o MDB. A senadora trabalha para ser a candidata ao Senado na chapa majoritária liderada pelo governador, levando o partido a se coligar com o PSB.
Lelo, por sua vez, é aliado antigo e leal ao ex-governador Paulo Hartung. O núcleo de hartunguistas mais antigos (Guerino, César Colnago, José Carlos da Fonseca Júnior) está se concentrando no PSD. A hipótese de Lelo também migrar para o PSD para compor a chapa à Câmara Federal chegou a ser especulada.
Porém, guardando posição no MDB, Lelo cumpre, para si e em nome do grupo, um papel estratégico mais importante: o de continuar marcando posição e resistindo para impedir que o MDB seja entregue de bandeja nas mãos de Casagrande. E, na medida do possível, embicar o MDB, ou pelo menos setores do partido, na direção da candidatura de Guerino Zanon.
Vale lembrar que Lelo tem assento na Comissão Executiva Provisória Estadual do MDB. E seu histórico braço direito, Chico Donato, participa da Executiva Nacional (assim como o próprio Lelo, ambos como suplentes).
Do jeito que o MDB-ES está instável nos últimos anos, vai que ocorre nova virada de mesa e o grupo de Lelo volta ao topo do comando estadual…
Nesse caso, Hartung e companhia recuperariam o controle sobre um partido hoje decadente, mas ainda importante no contexto político-eleitoral do Estado.
É preciso prestar muita atenção para o prazo em que termina o mandato de Rose de Freitas à frente da Comissão Provisória.
Leia abaixo, na íntegra, a nota em que Lelo comunica a sua resolução:
Comunicado
Comunico aos capixabas que, fruto de uma profunda reflexão nos últimos três meses, decidi não disputar eleição este ano.
Com a inviabilização para montagem de chapas no MDB, tanto para o Governo, quanto para os cargos no Legislativo Estadual e Federal, não me faltaram bons convites de outras legendas. Foram sete legendas no total. Contudo, predominou minha decisão, amadurecida, de não participar desse pleito.
Permaneço no MDB e na trincheira para construir um projeto alternativo para o Governo do ES.
Vitória, 04 de Abril de 2022
Lelo Coimbra
Aécio Matos

Segundo Aécio Matos ex-presidente do MBD de São Mateus, a notícia da não saída do Lelo do MDB-ES, e também a desistência de disputar a eleição este ano, já era esperada, pois segundo Matos, o ex-presidente do MDB/ES, ocupa um cargo de diretor da FUG- fundação Ulisses Guimarães onde tem um alto salário, sem falar de passagens de ponte aérea de Vitória x Brasília e vice-versa, dentre outras. Ainda segundo Matos, ” Lelo é um dos executivos mais bem pago do Brasil”.
” jamais ele ia deixar de receber um alto salário além de outras mordomias para sair em uma disputa eleitoral no escuro, haja visto que o ” prestígio do ex-deputado federal Lelo Coimbra anda em baixa.
Se o Lelo em 2024 se candidatar para vereador de Vitória ou de qualquer outro município da Grande Vitória, ele não se elege, disse Aécio.
Com essa condição o Sr Lelo posou de holofote durante esses últimos meses fazendo oposição a Senadora Rose dentro do próprio partido colocando seus tentáculos como seus fiéis amigos de Colatina entrando na Justiça contra a Senadora tentando desestabilizar todas as movimentações da Senadora inclusive fez matérias para os principais meios de comunicações colocando a Senadora em má situação na condução do MDB, onde deixou o partido uma terra arrasada com mais de 1 milhão em dívidas judiciais em andamento contas do partido rejeitadas pelo TRE e várias irregularidades. Esse é peso e legado que a Senadora Rose de Freitas está conduzindo e tentando colocar o MDB nos trilhos novamente”, finalizou Aécio.




























































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