
Após o duro pleito de 2002 para o governo do Estado, a política capixaba foi aculturada dentro do conceito da unanimidade. Ou seja, desde o primeiro mandato de Paulo Hartung (2002) criou-se a narrativa sobre a reconstrução administrativa e política do Estado do Espírito Santo, quem se opunha estava não somente contra o governo, mas também contra a reconstrução do próprio Estado. Contudo, esse pensamento unicista inaugurou uma política de núcleos e de grupos, uma espécie de demarcação eleitoral. Até mesmo os partidos de essência oposicionistas como o PT entraram na onda da unanimidade, abrindo mão do seu protagonismo natural.
Desta forma, a figura do governador ganhou traços fortes e vários partidos foram desidratados, assim como alguns poucos atores da política capixaba que se aventuraram em colidir com o Palácio Anchieta. Um exemplo claro é do ex-governador Max Mauro que não teve mais mandato após a ascensão de Paulo Hartung. Por um lado, a unanimidade política sustentava os aliados dentro do cálculo meticulosamente demarcado, por outro, era impiedosa e não tinha a menor dificuldade de esmagar aqueles que andavam na ponta dos pés e que interpretaram o perigo do porvir. É o que parecia e parece.
Destarte, toda essa filosofia unicista perpassou os oitos anos de Paulo Hartung no poder, elegeu Casagrande em 2010, trouxe Paulo novamente ao centro do poder em 2014 e Casagrande em 2018. Hoje, a unicidade política capixaba sofreu algumas fissuras e não é mais tão emblemática como outrora. Porém, ela existe, está viva e não encontrou nada capaz de submergi-la e derrota-la. Não podemos esquecer que a maioria dos atores políticos que hoje se declaram oposição também se aproveitaram desse modelo unicista e trocaram afagos tanto com Paulo Hartung, quanto Renato Casagrande, o que também contribui para descrédito dessa ala.
Portanto, a falta de consolidação da oposição capixaba tem sido até então o ponto tranquilizador do atual governo. Além disso, toda estrutura da máquina pública está favorável as pretensões do governo e de parte da sua equipe.
Definitivamente, até o presente momento, Renato Casagrande parece não ter oposição, mostrando-se cada vez mais maturado e pronto para comandar o Estado mais uma vez.
Uma solene observação: o jogo parace está 2 x 0. Para os desprevenidos pode ser uma larga vantagem, para os mais precavidos a grande razão para avançar, sem dar chances aos adversários.
Não nos esqueçamos: Pesquisa é retrato, eleição é filme,





























































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