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O escritor Maciel de Aguiar, em recente entrevista sobre o episódio envolvendo o jogador brasileiro Vini Júnior, do Real Madrid, da Espanha, disse que ”o crime de racismo só tem repercussão e conta com maior manifestação da opinião pública quando é praticado contra alguém famoso, artista ou atleta negro. Porém, quando é cometido contra o cidadão comum ou a memória histórica quase não tem repercussão na mídia e poucas vozes se levantam em solidariedade às vítimas”.
Maciel de Aguiar lembrou que ‘‘a empresa Marcopolo S.A. ainda não demonstrou o menor respeito para com a Cultura e a História do povo negro de São Mateus – onde mantêm uma fábrica -, e jamais procurou valorizar a história dos heróis quilombolas que deixaram um extraordinário legado de lutas contra a escravidão”.
A empresa gaúcha, originária de Caxias do Sul, é uma das maiores produtoras de carroceria de ônibus do país e possui uma unidade instalada no Território Quilombola do Sapê do Norte, região compreendida entre os municípios de São Mateus e Conceição da Barra, no Estado do Espírito Santo.
Conforme Maciel de Aguiar, ”a Marcopolo S. A. criou uma fundação para se relacionar com a comunidade, mas esta ainda não demonstrou o menor reconhecimento para com a história do povo negro, muito menos valoriza as suas manifestações folclóricas, museus e acervos que retratam as suas histórias de lutas”.
No Território Quilombola do Sapê do Norte, em São Mateus, onde está instalada a fábrica da Marcopolo, ocorreram as maiores e mais sangrentas batalhas dos heróis negros que enfrentaram um dos sistemas escravocratas mais perversos e poderosos do interior do Brasil.
Maciel de Aguiar disse que ”a empresa, possivelmente beneficiada com incentivos fiscais, deveria valorizar e apoiar a preservação da memória histórica dos heróis quilombolas, até mesmo pelo fato de instalar uma fábrica no exato local onde ocorreram expressivas lutas contra a escravidão”.
O escritor afirmou ainda que a fábrica da Marcopolo ”irá completar dez anos de funcionamento em São Mateus, mas ainda não contribuiu ao menos para que o município pudesse desenvolver as necessárias ações educacionais para a aplicação da Lei Federal 10.639 e sua complementação de número 11.645, que estabelecem a obrigatoriedade do estudo da História e Cultura Afro-brasileiras nas escolas de primeiro e segundo graus”.
Maciel de Aguiar lembrou que ”o crime de racismo do qual foi vítima o jogador brasileiro Vini Júnior, do Real Madrid, com grande repercussão na Europa, está mobilizando a FIFA e várias instituições internacionais e só teve repercussão por ser a vítima um famoso atleta, mas o mesmo crime se repete no Brasil, de forma ainda mais cruel, perversa e infame por ser praticado pelos que deveriam contribuir para um melhor conhecimento e valorização da enorme contribuição do povo negro na formação da sociedade nacional”.
O escritor falou que ”o Ministério Público Federal também precisa se posicionar diante dos crimes cometidos contra as pessoas comuns, sobretudo a memória dos negros que foram esquecidos pela historiografia oficial, principalmente quando esses crimes são de desrespeito e praticados por empresas instaladas no Território Quilombola onde o sangue de muitos heróis negros foi derramado nos séculos de lutas contra a escravidão”.
O escritor Maciel de Aguiar disse, também, que irá sugerir às entidades que preservam e defendem a memória histórica do povo negro para representar junto à Procuradoria Geral da República propondo um Termo de Ajuste de Conduta/TAC onde as empresas instaladas em um território quilombola e ou indígena sejam obrigadas, como contrapartida, a contribuir para a preservação da memória histórica dos povos do local e, assim, garantir a aplicação das leis federais nas escolas. Caso contrário, que essas empresas sejam impedidas de receber os benefícios dos incentivos fiscais”, disse.





























































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