A precipitação de Paulo Hartung em relação ao nome de Eugênio Ricas custou muito caro. Ao buscar o PSD de Gilberto Kassab, Hartung se deparou com o queixo duro do deputado federal Neucimar Fraga.
Na época Neucimar comandava o partido no Estado e parecia ter todo respaldo da nacional. De repente, surge uma calculada manobra e um duro golpe que também atingiria o governador Renato Casagrande, o flerte da nacional do PSD com parte do grupo do ex-governador do Espírito Santo. Contudo, não contavam com a firmeza do deputado federal e um dos principais aliados do atual governador.
Quando Paulo Hartung mirou o PSD, pelo menos três ações estavam em curso, vamos analisar:
01. Hartung pretendia esvaziar a chapa governista e ter um palanque pronto para seu “novo pupilo” Eugênio Ricas. Assim, ele colocaria um enorme obstáculo nas pretensões do Palácio, forçando uma polarização entre personagens e não de projetos.
02. Obviamente, Hartung tem o mapa eleitoral atualizado do Espírito Santo nas mãos. O ex-governador é um dos maiores articuladores políticos do Estado, um grande leitor de toda movimentação. Hartung sabia do potencial de Eugênio Ricas para ser o pretendido “encaixe perfeito” que o eixo político tradicional capixaba tanto procura que para acabar com o ciclo Paulo/Renato. Ou seja, o aparente fim da era hartunguista era mais um inteligente blefe, uma reinvenção do próprio Paulo Hartung para se manter vivo e ativo.
03. Hartung queria e ainda quer mostrar forças para os agentes políticos do cenário nacional. Usurpar uma chapa forte, pronta e ligada ao atual governo do Estado era uma aberta demonstração de poder e uma credencial a mais para seus objetivos em relação a presidência da república, seja como titular ou como vice em uma chapa alternativa.
Desta forma, os planos do homem que comandou o governo do Estado por 12 anos em relação ao PSD fracassaram e o deputado Neucimar Fraga teve um papel fundamental, sendo leal ao projeto dos correligionários do PSD capixaba. Paulo Hartung, que inaugurou a quase invencível geopolítica da unanimidade, foi engolido por outra geopolítica, aquela que preceitua a básica ética relacional do poder: “no poder, portas abertas, fora do poder, portas fechadas”.
Restou a Paulo Hartung recuar e colocar seu fiel escudeiro César Colnago na condução do partido e inflar o nome do ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon para disputar o governo (no último dia 31 de março, Guerino renunciou o mandato de Prefeito). Já Eugênio Ricas, certamente fez uma séria reflexão, ao ponto de decidir seguir com a sua brilhante carreira na Polícia Federal, porque esse assume e não assume de Paulo Hartung já vitimou muita gente boa e abortou projetos politicamente promissores, não dava para confiar nesse duvidoso paraquedas.
Enfim, o homem também erra e Paulo Hartung errou, agora precisa recomeçar seu apagado e atrapalhado jogo.
Vamos ver.





























































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