Pela primeira vez em 2025, o Espírito Santo finalizou um mês inteiro sem registros de feminicídio. O dado foi confirmado pela Gerência do Observatório de Segurança Pública (Geosp), da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), e aponta que o Estado já alcançou 32 dias consecutivos sem esse tipo de crime até 1º de julho.
A redução também é evidente no comparativo semestral: foram 14 feminicídios entre janeiro e junho de 2025, contra 21 casos no mesmo período do ano anterior — uma queda de 33,3%.
Para o secretário de Estado da Segurança Pública, Leonardo Damasceno, esse avanço é reflexo direto do trabalho conjunto e contínuo de enfrentamento à cultura da violência de gênero. “Enfrentar o machismo estrutural e proteger nossas mulheres tem sido prioridade. Finalizar um mês sem feminicídios é um marco que fortalece o caminho que estamos trilhando”, destacou.
Último crime foi registrado em maio
O último caso ocorreu em 29 de maio, no bairro Arlindo Vilaschi, em Viana. Um homem de 25 anos foi preso em flagrante após matar a ex-companheira, de 28, a facadas — na presença do filho do casal. Segundo o levantamento da Geosp, a maioria dos feminicídios registrados neste ano teve como autores ex-companheiros (41%), namorados (33%) ou atuais companheiros (25%). Em quase metade dos casos, foi utilizada arma branca.
A secretária de Estado das Mulheres, Jacqueline Moraes, reforça que o resultado é fruto de uma ação coletiva. “O mês sem feminicídio mostra que, quando poder público e sociedade caminham juntos, vidas são preservadas. Precisamos seguir vigilantes. Nenhuma mulher a menos”, afirmou.
Rede de proteção estruturada e estratégias integradas
O combate ao feminicídio exige respostas que vão além da repressão policial. Por isso, a Sesp mantém uma Gerência de Proteção à Mulher (GPM), responsável por articular políticas públicas com foco na prevenção e na ampliação dos serviços de acolhimento às vítimas.
De acordo com a delegada Michele Meira, gerente da GPM, “é essencial planejar ações intersetoriais, que envolvam todos os atores da rede de proteção. Isso amplia o alcance da prevenção e contribui diretamente para a redução do feminicídio”.
Entre os principais projetos e ações estão:
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Salas Marias: Ambientes humanizados e acolhedores dentro de Delegacias Regionais, já implantados na Grande Vitória e em expansão para o interior do Estado.
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Projeto Homem que é Homem: Voltado à responsabilização de agressores, promove reflexões sobre comportamento e machismo. A reincidência entre os participantes é inferior a 1%. Atualmente, está presente em 25 municípios, com previsão de expansão.
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Centros Margaridas: Espaços com equipes multidisciplinares (psicólogas, assistentes sociais, advogadas, educadoras) que prestam atendimento gratuito a mulheres em situação de violência. Estão presentes em dez regiões do Estado, incluindo São Mateus, Linhares, Cachoeiro e Colatina.
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Patrulha Maria da Penha: Visitas periódicas da Polícia Militar a mulheres com medidas protetivas, oferecendo acompanhamento e reforço à sensação de segurança.
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Projeto DEAM Itinerante: Delegacia móvel que percorre cidades sem unidades especializadas, registrando denúncias, oferecendo orientações e promovendo ações educativas.
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Reforço nas Delegacias da Mulher: Força-tarefa intensificou a conclusão de inquéritos e o atendimento das denúncias recebidas pelos canais 180 e 181. As DEAMs também foram fortalecidas com mais delegadas.
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Capacitação contínua: Servidores das forças de segurança participam de treinamentos especializados para garantir atendimento humanizado. A próxima formação será realizada em agosto, com apoio da Senasp.
Criação da Secretaria das Mulheres e o avanço do Programa Mulher Viva +
A criação da Secretaria Estadual das Mulheres (SESM), em 2023, marcou um novo momento no enfrentamento à violência de gênero no Espírito Santo. A pasta atua na articulação de políticas públicas intersetoriais e lidera a implementação do Programa Mulher Viva +, hoje integrado ao Programa Estado Presente em Defesa da Vida.
Com foco na promoção da equidade de gênero e na prevenção de todas as formas de violência contra meninas e mulheres, o programa conta atualmente com 18 projetos em execução.
A união entre diferentes esferas do poder público e o envolvimento direto da sociedade civil têm se mostrado fundamentais para alcançar os resultados expressivos registrados em junho.





























































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