
A pesquisa eleitoral para presidente divulgada quinta-feira pelo Datafolha (26), mostrou um tímido crescimento de Lula para Bolsonaro. Segundo os números, Lula está com 48% (estimulada) e Bolsonaro tem 27% (estimulada) e o terceiro colocado é Ciro Gomes com 8% (a pesquisa anterior espontânea registrou 43% das intenções de votos para Lula, enquanto Bolsonaro pontuou 26%. A atual pesquisa entrevistou 2.556 pessoas nos dias 25 e 26 de maio, em 181 cidades brasileiras. Sem querer levantar suspeição dos números, não podemos desconsiderar que o Brasil tem 5.568 municípios, o que pode comprometer a metodologia, a tabulação e a própria exegese de toda pesquisa).
No entanto, quando analisamos as diversas possibilidades e cruzamos algumas informações, essa vantagem lulista pode ser uma ilusão ou representar uma insatisfação temporal, ascendendo o sinal de alerta para quem está pregando vitória já no primeiro turno.
Vamos pontuar e levantar alguns cenários que podem influenciar e mudar todo esse quadro:
01. Apesar da margem do candidato petista ser alta, acima dos 40%, ela estagnou e não avançou organicamente. Ou seja, a presente vantagem pode ter alcançado o teto máximo, ou ela se consolida ou começa a diminuir. As próximas pesquisas serão fundamentais para confirmar essas possibilidades.
02. A rejeição de Lula é um forte indicador que sua vantagem não crescerá tanto (33%). Aliás, sua rejeição é a grande ameaça que cerca suas pretensões, devido a sua quase irreversibilidade. Obviamente, a rejeição do atual presidente também é grande, mas ela tem um caráter mais passional e ideológico, o que pode indicar ser uma rejeição endereçada e, em algumas situações, localizada.
O rótulo de desonesto é como se fosse uma tatuagem sobre Lula e o PT governamental. Já o rótulo de incompetente que pesa sobre os ombros de Bolsonaro pode ser estrategicamente modificada. Geralmente, o conservadorismo brasileiro têm mais preferência pelo “honesto incompetente” do que o “competente desonesto”.
03. As concessões realizadas pelo Partido dos Trabalhadores durante os mandatos de Lula e Dilma virão a tona, juntamente com os escândalos que muito contribuíram para o crescimento bolsonarista. Esse é um perigo real para um país que tem a maior parte do seu eleitorado movido pela emoção, passional e sem personalidade política definida. Na verdade, essa situação cíclica é um acerto de contas entre quem governou o país por mais tempo e não criou políticas públicas que aproximassem a sociedade do universo político. Bolsonaro e sua equipe já provaram que sabem explorar essa área e vão procurar desnudar todos os seus adversários.
04. O fator Geraldo Alckmin pode ser uma tacada genial, quando pensamos no grande eleitorado do Estado de São Paulo. Contudo, ao mesmo tempo, pode ser um tiro enorme no próprio pé (especialistas estão afirmando que essa eleição será decidida em São Paulo, devido ao equilíbrio nos demais Estados e regiões do país). Não existe dúvidas que Alckmin é uma grande liderança no seu Estado, mas também não podemos desconsiderar que em 2018 ele ficou em quarto lugar na disputa presidencial, marcando o pior desempenho da história do PSDB. O apoio a Lula pode custar muito caro para carreira de Alckmin, porque a política ama a traição, mas abomina o traidor. Esse é o sentimento da maior parte do eleitorado de Alckmin, traição, no qual seu projeto pessoal engoliu o projeto do partido, independente das suas ranhuras com seu ex-correligionário João Dória.
05. O PT com pautas identitárias causou um estrago eleitoral enorme, ajudando a fomentar termas que ainda são considerados tabus pela maioria da sociedade. Da série “o Brasil vai virar Venezuela” e “Bolsonaro vai dar um golpe militar”, esse acriançado debate vai ganhar força, juntamente com outros temas que monstrualizaram a esquerda brasileira. O PT sofreu com essa rotulação, não soube e parece ainda não saber enfrentar e administrar essas narrativas estratégicas. Isso causou e causará um estrago durante todo o processo eleitoral, não tenhamos dúvidas.
06. Outro importante evento que pouca gente está considerando é a perspectiva do aumento da abstenção. Essa nova modalidade de justificar o voto por meio de aplicativo, sem a necessidade do eleitor ir até a sua sessão eleitoral, vai aumentar muito o número de abstenções. Isso influencia no resultado de uma eleição, afetando diretamente o “voto vogal” oriundo da grande massa, onde Lula e Bolsonaro perdem muito, criando um hiato que pode comprometer até mesmo os dois e beneficiar candidaturas orgânicas que estão mirando o eleitor mais consciente de nível médio e maior, como o pedetista Ciro Gomes, que vem apresentando o que ele chama de Plano de Desenvolvimento Nacional.
Portanto, a distância entre Lula e Bolsonaro pode ser uma inconsistente bolha de sabão e não um largo abismo. As cartas ainda não foram abertas e tem muita coisa para acontecer. Lula com Alckmin e Bolsonaro com o Centrão podem sofrer profundos desgastes e confundir ainda mais o “já” confuso eleitor. O curto tempo é o maior aliado dessa polarização que vem tensionando o debate e acirrando os ânimos da grande militância política. Tanto Lula quanto Bolsonaro já provaram o poder de mobilizar as massas e de criar novas pautas políticas. Por isso, não dá para fechar nenhuma questão, devido a maiêutica política brasileira, onde as possibilidades só cessam na urna e na soberana vontade popular.
Pesquisas são retratos que testificam o hoje, eleição é um longo filme que pode ter finais improváveis ou não, como em 2018, quando parte da esquerda subestimou quem agora governa o país.
Quem será filme ou retrato? Vamos acompanhar esse aberto duelo entre Lula e Bolsonaro.





























































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